As Esquadras das polícias locais eram diariamente inspeccionadas e não faltava o seu brinde habitual com um cálice de bagaço de ameixas com a conhecida saudação em língua local ?JEVELI?
A miss portugal também passou por Sarayevo, Rogatica e Goradze onde visitou os militares portugueses, não deixando de a cumprimentar num dia acabado de nevar.
No Verão de 1999, a Nato começou com os Bombardeamentos no Kosovo e para evitar retaliações por parte dos Sérvios as Esquadras da ONU sediadas do lado habitado por Sérvios foram evacuadas por motivos de segurança, tendo sido transferido para Goradze por ser habitada por muçulmanos.
Nesta altura encontrava-me em Portugal a passar 10 dias de férias e quando pretendia regressar à Bósnia o espaço aéreo estava fechado na maioria dos aeroportos internacionais da Europa. No Aeroporto da Portela deram-me uma hipótese de viajar para Split (Croácia) via Zurique. No aeroporto encontro-me com o Subchefe Ferrão que se encontrava nas mesmas condições. Chegados a Zurique fomos informados que o aeroporto de Split também tinha fechado. Reclamamos junto da agência obrigando-os a resolverem o assunto nem que fosse de autocarro. Uma hora depois a agência fretou uma avioneta para 9 passageiros com destino a Ljubjana - Eslovénia e uma vez dali seguimos para Zagreb em autocarro, com o aviso de que não era possível transferir a minha bagagem por falta de tempo e que possivelmente se iria perder, o que efectivamente aconteceu. A mala tinha pouca roupa, no entanto levava cerca de 10 quilos de presunto, chouriça de carne, queijo da serra, vinho do porto ect, que deve ter servido para petisco de alguns funcionários do aeroporto.De Zagreb, cerca das 20H00, viajamos de autocarro para Sarajevo, o qual chegou cerca das 11H00 do dia seguinte.No caminho para Goradze encontrava-se um camião guindaste do exército português a içar um veículo automóvel ainda com os corpos dos mortos pendurados nas janelas. Eram muçulmanos.
Em Goradze também existia um batalhão do exército português, local onde me forneciam alimentação e convivia com os soldados, sargentos e oficiais.Cerca de dois meses depois regresso a Rogatica e sou nomeado conselheiro da polícia local. Aqui, passo a controlar todos os passos dados por aquela polícia, visitando os presos preventivos e assistindo aos interrogatórios.
ROGATICA